O brechó do Curso de Verão consolidou-se como um espaço bastante apreciado ao longo da programação. Frequentado por cursistas, monitores e funcionários da PUC-SP, o brechó vai além de ser um ponto de compras: tornou-se um espaço de encontro, convivência e diálogo, além de uma importante iniciativa de apoio à participação de pessoas que, sem esse auxílio, não conseguiriam integrar a formação.
Solidariedade que garante acesso ao curso
Parte fundamental da iniciativa é o destino dos recursos arrecadados. O valor obtido com a venda das peças é direcionado, principalmente, à concessão de bolsas para participantes que não têm condições de arcar com os custos do curso.
Rosângela Valeriano Rosa, que participa do Curso de Verão desde a primeira edição e já atuou em diversas frentes ao longo dos anos, trabalha pela primeira vez no brechó nesta edição. A experiência, segundo ela, tem sido gratificante, pois o brechó expressa na prática o espírito coletivo e solidário que sustenta o curso há quase quatro décadas.
“Eu estou adorando o corpo a corpo, a negociação, poder ajudar quem tem menos poder aquisitivo. Mas a minha maior satisfação é saber que o valor arrecadado garante bolsas do Curso de Verão para aquelas pessoas que não podem pagar”, afirma.
Comodidade e preços acessíveis
Entre os frequentadores do brechó estão também trabalhadoras e trabalhadores da PUC-SP. Edna Maria, funcionária da universidade, destaca a praticidade da iniciativa.
“Eu adoro a ideia de poder comprar algumas peças no meu horário de almoço, sem precisar sair do prédio. A gente ganha tempo e os preços são ótimos”, comenta.
A diversidade de roupas, acessórios e bijuterias torna o espaço atrativo e reforça seu caráter inclusivo.
Organização e valorização das peças
Além de contribuir para bolsas, parte dos recursos arrecadados é reinvestida no próprio brechó. Nilda de Assis, voluntária, explica que o dinheiro também é utilizado para melhorar a estrutura do espaço.
“O valor arrecadado ajuda na aquisição de araras, que facilitam a exposição das roupas, e de gabinetes para bijuterias e acessórios, que valorizam ainda mais as peças”, relata.
Essas melhorias tornam a experiência de quem compra mais agradável e contribuem para a organização do espaço.
Novos olhares
Uma das novidades desta edição é a participação de Ir. Paulo Eugênio de Lima, SVD, o Paulinho. Produtor, figurinista e cenógrafo, ele trouxe sua sensibilidade artística para compor looks e dar mais visibilidade às peças disponíveis. A proposta é ampliar o olhar sobre o reuso e mostrar o potencial das roupas disponíveis.
Anna Clara, que participa do Curso de Verão pela quinta vez, destaca a diferença que ele faz. “Os looks compostos pelo Paulinho valorizam peças que a gente talvez não tivesse percebido no meio de tantas opções. As roupas são muito boas e diversificadas. Inclusive, vou levar um presente”, conta.
Sustentabilidade, economia circular e Justiça Ambiental
Além do impacto social, o brechó do Curso de Verão dialoga diretamente com o tema desta edição, “Justiça Ambiental: Compromisso Social e Inter-Religioso com o Bem-Viver” e com todo o espírito do cuidado com a Casa Comum e com outro. Ao prolongar a vida útil das roupas, a iniciativa contribui para a redução do descarte de resíduos têxteis, um dos setores mais poluentes da indústria global.
A reutilização de peças reduz o consumo de água, energia e produtos químicos, além de diminuir as emissões de carbono associadas à indústria da moda. Inserido na lógica da economia circular, o brechó se contrapõe ao modelo do fast fashion, baseado no ciclo acelerado de produzir, usar e descartar — uma dinâmica que aprofunda desigualdades sociais e impactos ambientais.
Em um contexto em que mais de 100 bilhões de peças de vestuário são produzidas anualmente no mundo e cerca de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis são descartadas todos os anos, iniciativas como essa tornam-se práticas concretas de justiça ambiental, ao incentivar o consumo consciente e o cuidado com a casa comum.
Texto: Renata Garcia
Fotos: Alderon Costa
Equipe de Comunicação




