Com o tema “Justiça Ambiental: Compromisso Social e Inter-Religioso com o Bem-Viver”, foi aberta a 39ª edição do Curso de Verão (2026), com uma celebração e um momento de aprofundamento, realizados no TUCARENA em São Paulo, na tarde do dia 07 de janeiro.
O primeiro momento foi de espiritualidade, refletindo sobre a importância da água para a vida do planeta: “Deus é água! Nós começamos este Curso de Verão, refletindo sobre este elemento, esta manifestação de Deus que é a água. Hoje nós vamos comungar com Deus por meio da água. Que rios que te trouxeram até aqui?” Desta maneira, indicou-se que todos têm sede, os seres vivos têm sede, a terra seca também tem sede. Durante os dias do Curso, serão trabalhados e meditados os mitos da criação, das diversas tradições espirituais.
Na sequência, houve dos coordenadores do Curso e de alguns membros da diretoria do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP). Angelica Tostes, coordenadora do Curso de Verão, deu as boas-vindas a todos os cursistas, tanto presentes no Tucarena, quanto inscritos para o formato online. Padre José Oscar Beozzo, coordenador do CESEEP, afirmou que o Curso de Verão foi preparado ao longo de um ano, reunindo pessoas com conhecimento e experiência na área da justiça ambiental, tanto no confronto com os estragos, como a busca de caminhos para sanar e superar essas dificuldades. O prof. Wagner Lopes Sanchez, presidente do CESEEP e professor da PUC-SP, comparou o Curso de Verão com “uma grande mesa, onde nos sentamos para partilhar com pessoas de diferentes lugares, de diferentes regiões, de diferentes igrejas”. Lembrou que uma das características do Curso de Verão é o mutirão, onde dezenas de pessoas oferecem o seu tempo para que o Curso aconteça. Fez um agradecimento especial à equipe do CESEEP e a todas as pessoas voluntárias que organizaram o Curso e que agora vão colocá-lo em prática. Juçara Terezinha Zottis, da diretoria do CESEEP, que saudou a todos os participantes e enfatizou a importância do tema, lembrando que no ano passado, no Brasil, houve três grandes momentos que trabalharam a questão ambiental: a Campanha da Fraternidade, com o tema “Fraternidade e Ecologia Integral”; o Mutirão de Comunicação, em Manaus/AM, que trabalhou a comunicação da Igreja Católica com relação à questão ambiental; e a COP30, em Belém/PA, que foi um marco importante para trazer o tema para debate nas periferias.
Para concluir a tarde, o professor Luiz Marques, da UNICAMP, fez uma introdução à reflexão sobre o tema “Capitalismo e Colapso Ambiental”, que será conferência sobre a conjuntura climática. Luiz apresentou o tema dividido em três pontos: 1) sete evidências gerais da atualidade, 2) uma incerteza e 3) propostas estratégicas e imediatas.
1) As sete evidências são: a) Vive-se uma degradação sem precedentes desde 1945; b) Constata-se a aceleração da degradação nos grandes dossiês socioambientais; c) Sinergia, ou seja, os maiores dossiês da degradação reforçam-se reciprocamente; d) O modelo termofóssil-agroexportador globalizado é a causa principal da degradação observada nas relações sociais e ambientais; e) As condições de habitabilidade do planeta pelos humanos e por milhões de espécies pluricelulares serão piores até 2050; f) Pontos de não retorno: o sistema Terra possui ao menos 16 elementos de larga escala susceptíveis de ultrapassar pontos de não retorno; g) É preciso mudar radicalmente de trajetória, de modo a poder modificar nossas relações (individuais e coletivas) com o sistema Terra.
2) A incerteza fundamental de nossos dias é dada pela maior ou menor capacidade das sociedades de reagir a essas evidências. Essa capacidade se tornará tanto maior quanto maiores forem o alcance comunicacional e força persuasiva das propostas políticas às sociedades.
3) Propostas estratégicas: a) Imperativo de uma ruptura civilizacional (longo prazo): trata-se de construir uma elaboração positiva da ideia de limite e de autolimitação; b) O objetivo central da humanidade neste segundo quarto do século é construir uma ação política: cientificamente informada, focada na paz, na cooperação, na desglobalização econômica, e atenta aos ensinamentos de outras civilizações; c) Avançar no controle democrático da rede estatal-corporativa e avançar, simultaneamente, na diminuição da desigualdade; d) No Brasil, o objetivo político central é uma reforma agrária popular e o fim do agronegócio.



