Em clima de muita alegria e festa, estivemos reunidos de 07 a 16 de janeiro de 2026 na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), para o 39º Curso de Verão (CV) do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP) em torno da temática:
“Justiça Ambiental: Compromisso Social e Inter-Religioso com o Bem-Viver”.
As pessoas que não puderam deslocar-se até São Paulo, organizaram-se para seguir o curso à distância pelas manhãs e participar, no período noturno, da tenda virtual, acompanhadas por monitores/as do curso.
O CESEEP organizou o CV-2026 em parceria com a PUC-SP, o Teatro da Universidade Católica (TUCA) e o TUCARENA, a Rede Rua de Comunicação e a Editora Paulus, com o apoio e a colaboração de outras pessoas, entidades, movimentos sociais, Igrejas, comunidades e famílias. Cada um contribuiu, de forma generosa e gratuita, para esta formação de lideranças pastorais e sociais neste grande mutirão de saberes, vivências e compromissos.
Participaram da abertura do evento e saudaram as/os participantes o prof. dr. Wagner Lopes Sanchez, coordenador do departamento de Ciências da Religião da PUC e presidente do CESEEP, Juçara Terezinha Zottis, sua tesoureira, Maria Ângela Palma Ribeiro do Conselho Superior, Angélica Tostes, coordenadora do CV e Pe. José Oscar Beozzo, coordenador geral do CESEEP. O Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, justificou sua ausência por estar de viagem e enviou cordial saudação aos participantes.
Neste ano, o curso reuniu 323 pessoas: 112 presencialmente, vindas de diferentes regiões do Brasil e de outros 14 países da América Latina e do Caribe (Peru, Colômbia, Nicaragua e Cuba), África (Nigéria, Uganda, Angola, Moçambique, República Democrática do Congo, Quênia, Guiné-Bissau e Burkina Faso) e Ásia (Indonésia, Timor Leste) e 77 online; 16 assessores/as, 06 pessoas dos povos Pankararu e Fulni-ô para a mística dos Povos Originários e 15 convidados para as Mesas de Diálogo; 97 voluntários/as, sendo 46 da monitoria e 51 das equipes de serviço. Os momentos orantes e as palestras pela manhã no TUCA, o Sarau, assim como as celebrações de abertura e encerramento foram transmitidas ao vivo pela equipe de comunicação do Curso pelo canal do YouTube do CESEEP, onde ficaram postadas. Até o dia 15 de janeiro, houve 7.543 visualizações pelo YouTube, 46.166 pelo Instagram e 24.432 pelo Facebook, num total de 78.141.
O Curso promoveu ainda uma sessão vespertina de cinema aberta a convidados externos para exibição do filme O Evangelho da Revolução, graciosamente cedido pelo seu diretor François Xavier Drouet. Houve, no apagar das luzes, breve mas instigante conversa com Chico Whitaker e convocação para a campanha pela Erradicação da prática ilegal de compra e venda de votos nas eleições e decisões legislativas.
Interpeladas/os pelo agravamento do aquecimento global e o suceder-se de devastadores desastres socioambientais, mas animados também pela ativa participação dos povos originários, de quilombolas, ribeirinhos e movimentos sociais na COP30, em Belém PA, e sustentados pela memória e testemunho de tantos mártires, por iniciativas exitosas no campo da agroecologia, da reciclagem urbana, pelos movimentos pela reforma agrária e urbana, assumimos alguns compromissos em relação:
AOS DESAFIOS FRENTE À (IN) JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL
– Colocar-se à disposição para ações concretas nos territórios e nas cidades, lutando por políticas públicas que favoreçam a justiça social; fiscalizar e acompanhar a implantação dessas políticas e trabalhar na conscientização dos territórios sobre a necessidade de mudanças no cenário político do Brasil para as eleições de 2026.
– Conhecer verdadeiramente a realidade dos povos indígenas, sua história, necessidades e lutas; apoiar o protagonismo das mulheres indígenas. Honrar e aprender com a sabedoria ancestral de que somos uma extensão da natureza.
– Buscar nas esferas individual, política, educacional, comunitária e familiar, uma relação harmônica com o ambiente no cotidiano, com ações concretas: promover a coleta seletiva de resíduos, apoiar a reciclagem, compostagem, e o reuso da água, o uso de sabões orgânicos, a compra de materiais artesanais e recicláveis/reciclados.
– Organizar, fomentar e fortalecer os movimentos populares no compromisso por um plano de ação construído em mutirão, que una a luta por direitos básicos a uma transição energética justa e regional e à reorganização do trabalho pelos trabalhadores.
AOS DESAFIOS E TAREFAS NA EDUCAÇÃO PARA O BEM-VIVER
– Fomentar as políticas públicas educacionais para a maior consciência social, que supere a lógica do capital, por meio de debates, aulas, palestras, rodas de conversas, arte e educação popular e sensibilização para uma ação efetiva para a promoção da Justiça Ambiental em nossos territórios, espaços de trabalho e movimentos sociais.
– Divulgar os documentos, projetos, vivências e experiências do Curso de Verão nas mídias sociais a fim de articular a temática socioambiental.
– Aprofundar-se de forma coletiva e individual no estudo de documentos e instituições em defesa da justiça ambiental, para compartilhar conhecimentos e informações atualizadas, combater as fake News e buscar a promoção de ações concretas pequenas ou grandes.
– Estimular modos comunitários de se viver e trabalhar no campo e na cidade, e nesse intercâmbio, qualificar as relações e a distribuição desses alimentos, sem atravessadores, via economia solidária, a reforma agrária, reforma urbana com qualidade e justiça socioambiental.
AOS DESAFIOS PARA UMA ESPIRITUALIDADE MILITANTE E ESPERANÇADORA
– Fortalecer o ecumenismo e diálogo interfé, promovendo ações concretas entre as pessoas de diferentes fés para trabalhar em prol da Casa Comum.
– Reconhecer e proteger as comunidades das religiões de matriz africana e indígenas como guardiãs da Natureza, afirmando sua diversidade e caminhando ao seu lado na luta pela liberdade de seus ritos e cultos, pelo respeito às suas espiritualidades e pela justiça.
– Aprofundar e combater o racismo ambiental, ampliando o debate na base e questionar setores do meio científico “tradicional”, que rejeitam o conceito.
– Implementar práticas espirituais em nossa comunidade, promovendo a conscientização e o respeito pelo meio ambiente com ações sustentáveis.
Revigorados/as pelo caminho percorrido neste nosso mutirão, pelos laços de afeto e compromisso aqui tecidos, voltamos nossos olhares para construir o 40º Curso de Verão, a ser realizado em janeiro de 2027, com o tema: A Sociedade em Tempos de Algoritmos: Reconectar para o Bem-Viver.
São Paulo, 16 de janeiro de 2026 – CESEEP: www.ceseep.org.br
Fotos: Luciney Martins (@lucineymartins)





